sexta-feira, 27 de maio de 2011

pode entrar mesmo, mas entra devagar...

Acho que o que estou sentindo agora é medo.
Não que eu nunca tenha sentido.
Só que dessa vez ele veio quase de máscara, tirando uma comigo “Vamos ver se ela me reconhece...”. Pois bem, eu digo que isso é medo.
Certo que toda mudança segue acompanhado de uma habitual melancolia. Porque qualquer mudança, mesmo que pequena, tem um quê de tristeza, vocês vão concordar comigo. Acontece que deixamos de ser o que nós éramos pra ser uma outra coisa. Abandonamos nós mesmos. Mudar dá medo. A gente fica ansioso, entusiasmado, feliz da vida. Mas dá um medinho “E se eu não segurar as pontas...”. Dá medo.
Mudar me parece irresistível, confesso. Vou mudar. Vou me mudar de cidade, de casa, de escola, de vida.
Eu tenho andado doidinha, doidinha... Conversando com as paredes. Despedindo-me do meu quadro preferido e andando pelos corredores como quem vê unicórnios pelo teto.
Não sei. Mas deve ser medo. Porque louca eu não estou. Não ainda.
Não posso deixar de falar que meu medo não é de nada real. Sou do tipo que pula de pára-quedas, que anda sozinha em um beco escuro tarde da noite, sobe em um skate e corre que nem criança. Adrenalina não é problema pra mim e eu não tenho medo de arriscar. De tentar. Prefiro acordar arrependida a dormir na vontade, olha eu aqui já falando bobagem e soltando cantadas de micaretas. Não dêem ouvidos ao que eu falo. Mas é certo, até as cantadas mais chulas tem certa poesia.
Mas voltando, o meu medo é outro. Tenho medo de fantasma, de dragão e de duende [podem até falar que eles são uns amores, mas eu continuo achando que são criaturinhas macabras que vivem escondendo meu controle remoto, meus prendedores de cabelo e minhas canetas].
Isso que é medo pra mim. Medo do que não existe. Medo do que eu tenho certeza que não vai fazer nada de mal comigo.
Medo de mudança pra mim é novo. E sabe de uma coisa? Eu estou animadíssima.

E morrendo de medo.

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