Logo eu, que sempre fui uma alegoria.
Que quando noite, tropeçando pelos bares gritava uma alegria inconsequente.
Comemorava a liberdade sem você mais ao meu lado. Gritava por um súbito alivio de não ficar mais sempre em suas mãos.
E andava pela rua com um sorriso quase indecente. Que enganava direitinho os mais distraídos.
Eu, que há tanto tempo não conseguia dormir direito. Esperando você me ligar. Aparecer pra mim e dizer que quando você parou de me amar... Lembra? No momento que eu perdi a graça pra você... Que não passou de um mal entendido e que você estaria ali pra mim, de novo.
Logo eu, que sofri tanto com a sua ausência. Estava feliz e deslumbrante. Apagando a sua cicatriz com uma embriaguez feroz. Tentando não notar meu desespero. E com o coração apertadinho.
Chegava em casa e conseguia, vitoriosamente, fechar meus olhos e adormecer. Naquela cama enorme que, depois que você se foi, ficava sempre metade fria e metade quente. E quando madrugada e eu sentia aquela parte gelada no lado que antes era o seu, meu coração esfriava junto e então ficava tudo molhado das lágrimas que quando você estava comigo, nunca permitiu que eu derramasse.
Era a morte me visitando de novo. E o curioso é que não era a minha morte. E sim a sua. Que vamos combinar, facilitaria muito as coisas. Morrendo você eu não precisaria mais me preocupar se você ainda pensava em mim como antes. Morrendo você eu não te esperaria mais e nem os seus telefonemas. Eu não ficaria me perguntando se você já tinha outro alguém. Não veria mais seus rostos em todos os outros.
Morrendo você, amor, eu é que descansaria em paz.
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