quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Soneto do infinitivo

Primeiro foi só uma estrofe.
Eu custei pra acreditar que passaria daquilo. Imaginei que fosse terminar como mais uma daquelas frases deixadas por aí. Que a beleza dela se daria pelo que poderia ter sido. Mas com a gente foi.
Primeiro foi só uma estrofe. E a partir daí foi tudo poesia...
Começamos com calma nossa primeiro verso e ele se tornou pequeno demais pra tudo que queríamos viver e não cabia.
Tudo rimava com nós dois e eu não cansava de esperar por você.
Falava as coisas erradas, inquieta, esperando que viesse me corrigir.
E você vinha, impaciente, dizendo que eu era uma boba e me calava com seu beijo apressado. Doido pra me ver de novo.
Nesse segundo verso eu me esforcei muito pra fazer tudo direitinho. Acho até que fiz. Ele é que já não me amava mais com a mesma insensatez.
Depois acabou. E o soneto que começou comigo, com ele e como o amor de ambos terminou. Terminou comigo, com ele e com tudo que eu fiz, e não adiantou, pra te fazer feliz.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ser Brotinho

Paulo Mendes Campos


Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível.

Ser brotinho é não usar pintura alguma, às vezes, e ficar de cara lambida, os cabelos desarrumados como se ventasse forte, o corpo todo apagado dentro de um vestido tão de propósito sem graça, mas lançando fogo pelos olhos. Ser brotinho é lançar fogo pelos olhos.

É viver a tarde inteira, em uma atitude esquemática, a contemplar o teto, só para poder contar depois que ficou a tarde inteira olhando para cima, sem pensar em nada. É passar um dia todo descalça no apartamento da amiga comendo comida de lata e cortar o dedo. Ser brotinho é ainda possuir vitrola própria e perambular pelas ruas do bairro com um ar sonso-vagaroso, abraçada a uma porção de elepês coloridos. É dizer a palavra feia precisamente no instante em que essa palavra se faz imprescindível e tão inteligente e natural. É também falar legal e bárbaro com um timbre tão por cima das vãs agitações humanas, uma inflexão tão certa de que tudo neste mundo passa depressa e não tem a menor importância.

Ser brotinho é poder usar óculos como se fosse enfeite, como um adjetivo para o rosto e para o espírito. É esvaziar o sentido das coisas que transbordam de sentido, mas é também dar sentido de repente ao vácuo absoluto. É aguardar com paciência e frieza o momento exato de vingar-se da má amiga. É ter a bolsa cheia de pedacinhos de papel, recados que os anacolutos tornam misteriosos, anotações criptográficas sobre o tributo da natureza feminina, uma cédula de dois cruzeiros com uma sentença hermética escrita a batom, toda uma biografia esparsa que pode ser atirada de súbito ao vento que passa. Ser brotinho é a inclinação do momento.

É telefonar muito, estendida no chão. É querer ser rapaz de vez em quando só para vaguear sozinha de madrugada pelas ruas da cidade. Achar muito bonito um homem muito feio; achar tão simpática uma senhora tão antipática. É fumar quase um maço de cigarros na sacada do apartamento, pensando coisas brancas, pretas, vermelhas, amarelas.

Ser brotinho é comparar o amigo do pai a um pincel de barba, e a gente vai ver está certo: o amigo do pai parece um pincel de barba. É sentir uma vontade doida de tomar banho de mar de noite e sem roupa, completamente. É ficar eufórica à vista de uma cascata. Falar inglês sem saber verbos irregulares. É ter comprado na feira um vestidinho gozado e bacanérrimo.

É ainda ser brotinho chegar em casa ensopada de chuva, úmida camélia, e dizer para a mãe que veio andando devagar para molhar-se mais. É ter saído um dia com uma rosa vermelha na mão, e todo mundo pensou com piedade que ela era uma louca varrida. É ir sempre ao cinema mas com um jeito de quem não espera mais nada desta vida. É ter uma vez bebido dois gins, quatro uísques, cinco taças de champanha e uma de cinzano sem sentir nada, mas ter outra vez bebido só um cálice de vinho do Porto e ter dado um vexame modelo grande. É o dom de falar sobre futebol e política como se o presente fosse passado, e vice-versa.

Ser brotinho é atravessar de ponta a ponta o salão da festa com uma indiferença mortal pelas mulheres presentes e ausentes. Ter estudado ballet e desistido, apesar de tantos telefonemas de Madame Saint-Quentin. Ter trazido para casa um gatinho magro que miava de fome e ter aberto uma lata de salmão para o coitado. Mas o bichinho comeu o salmão e morreu. É ficar pasmada no escuro da varanda sem contar para ninguém a miserável traição. Amanhecer chorando, anoitecer dançando. É manter o ritmo na melodia dissonante. Usar o mais caro perfume de blusa grossa e blue-jeans. Ter horror de gente morta, ladrão dentro de casa, fantasmas e baratas. Ter compaixão de um só mendigo entre todos os outros mendigos da Terra. Permanecer apaixonada a eternidade de um mês por um violinista estrangeiro de quinta ordem. Eventualmente, ser brotinho é como se não fosse, sentindo-se quase a cair do galho, de tão amadurecida em todo o seu ser. É fazer marcação cerrada sobre a presunção incomensurável dos homens. Tomar uma pose, ora de soneto moderno, ora de minueto, sem que se dissipe a unidade essencial. É policiar parentes, amigos, mestres e mestras com um ar songamonga de quem nada vê, nada ouve, nada fala.

Ser brotinho é adorar. Adorar o impossível. Ser brotinho é detestar. Detestar o possível. É acordar ao meio-dia com uma cara horrível, comer somente e lentamente uma fruta meio verde, e ficar de pijama telefonando até a hora do jantar, e não jantar, e ir devorar um sanduíche americano na esquina, tão estranha é a vida sobre a Terra.


Texto extraído do livro “O Cego de Ipanema”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1960, pág. 15.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Aguarde.
Aguarde para que meus sonhos venham a tona, se embaralhem, virem realidade.
Daí quem sabe, se explodam em mim, causando uma confusa dança de melancolia e felicidade.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Só pro meu prazer

Não fala nada
Deixa tudo assim por mim
Eu não me importo
Se nós não somos bem assim
É tudo real as minhas mentiras
E assim não faz mal
E assim não me faz mal não
Noite e dia se completam
O nosso amor e ódio eterno
Eu te imagino, eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
Eu te recriei, só pro meu prazer
Só pro meu prazer
Não vem agora com essas insinuações
Dos seus defeitos ou de algum medo normal
Será que você, não é nada que eu penso
Também se não for
Não me faz mal
Não me faz mal não...

Últimas palavras

O meu amor é bem maior do que mágoa
O meu amor é bem maior que o teu perdão
O meu amor resiste as curvas e o vento
O meu amor te quer como recordação

Por isso é que eu não vou te arrancar a força
Não vou acreditar que você não amou
Não vou espalhar que você não presta
Não vou te condenar por que você me mancha
Eu vou silenciar a boca

Mas não vou calar meu coração
Não posso te odiar
Porque você não sabe
Os erros por amor já nascem com perdão

Você não percebeu quem sou
Não compreendeu insegurança é dor
Não caiu a ficha, eu errei por amor
Você não entendeu nada

http://www.vagalume.com.br/patricia-mellodi/ultimas-palavras.html#ixzz1RSe8xBtg

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Do verbo saudade...

Sinto falta do seu beijo de boa noite. E do seu 'eu te amo' delicado. Sinto falta das brigas e de depois dormir ao seu lado.
Sinto falta de ficar com raiva de você e depois morrer por dentro com remorso de tudo que pensei. Sinto falta de coisas que, sinceramente, nem eu sei.
Sinto falta de ter pra vida inteira. Das tardes, dos telefonemas e das brincadeiras.
Sinto falta de não ficar sempre sob a sua proteção. Sinto falta de sorrir pra você e você sorrir pra mim com o coração.
Sinto falta de ver você dormindo. Sinto falta do seu 'não mente pra mim.'. Sinto falta de continuar mentindo.
Sinto falta de não poder te ver todos os dias. Sinto falta dos dias, das noites e (quem diria) até das suas manias.
Sinto falta do seu cinismo e da sua falta de compreensão. Sinto falta de errar, sinto falta de pedir perdão.
Coloquei mil virgulas a procura de um ponto final, fui um desastre nisso, me tornando uma sentimental. É que nessa de saudade, acabei virando o que sempre mais detestei em você. Não muda o fato de que a verdade é que preciso suprir essa falta, como o sol precisa nascer.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Capítulo final

Por favor, não me mande ir embora antes de saber o que acontece comigo. Não me pergunte por onde andei, quando nem eu sei por onde tenho andado. Não sinta pena da minha solidão, ande ao meu lado. Não cobre que eu seja sempre a melhor em tudo. Me deixa perder, vai, por pelo menos um minuto. Ria das minhas piadas, me aplauda e se interesse pela minha história. Me deixa ter, ao menos, esse momento de glória. Vem comigo pra um lugar deserto, bonito. Nós não vamos parar tão cedo. Eu pego você em Julho e só devolvo em Fevereiro. Não se esqueça dos meus abraços, nem dos consolos que são meus e que ficaram com você. Não realize todos os meus desejos. Por favor, não se esqueça dos meus beijos. Promete que não vai esquecer?
Corra junto a mim e se eu cair, me chama, se eu não responder me deixa morrer e te esquecer, enfim.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

vai não, fica

Um soco certeiro na minha alma quando tive certeza que você tinha ido embora.
Nunca pensei que te perder traria tal dor assim pra mim.
E aquela alma, 'inda pouco machucada, agora chora.
Lembrei de você sempre por perto e depois me imaginei sozinha por aqui.
Perguntando aos astros se daria pra viver sem ti.
Quando dei por mim foi tudo um sonho.
Não quis levantar da cama pelo medo de não mais te ter.
Respiro aliviada e agora te proponho.
Posso ficar a tarde inteira com você?

Prólogo

Tentei disfarçar os olhares e o medo de tudo que você não sabe sobre mim, mas aí percebi que não dá pra te mostrar antes de chegar no fim.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

fica

Não grita comigo e nem me esquece. Ou pode até gritar, mas por favor não me esquece.
Não me machuca, fica comigo. Se me machucar, fica comigo.
Não vá embora, fique comigo, volte sempre. Sempre que for, volte. Volte sempre.
Preciso do seu amor e da sua presença. Dos seus beijos e dos seus temperos.
Preciso da sua voz e da sua pele. Do seu cheiro e não ligo pro dinheiro.
Vivo com você em qualquer lugar, e se for preciso, eu arranjo um barco pra gente sair por aí, viajar. Conhecer o mundo, fazer nosso destino. Esperando que você suporte todo meu desatino.
Preciso de você todos os dias como o sol precisa aparecer. Preciso de você com todos os clichês e com todos os seus defeitos tão bonitos.
Preciso que cuide de mim, mas não se preocupe, sempre cuidarei de você .
Me cheire. Me encoste. Me abrace. Me beije. Me tenha. Me ame. E se não me amar, fica comigo.

domingo, 19 de junho de 2011

pra recomeçar

E como faz quando tudo que mais te fazia ter força não lhe inspira mais nenhuma confiança ou conforto?
De repente as coisas mudam e a gente só repara na marra. “Mudamos, e aí, quando vai encontrar sua turma?”. Dói. Não adianta sorrisos, gestos e tentativas frustradas de fazer tudo ficar bem. A gente repara que estamos sozinhos e talvez sempre estivemos. Mas agora dói mais. Vamos lá, procurar meios de anestesiar essa cicatriz exposta que vai ocupando a gente com todas as mirabolantes ideias negativas dela.
Mas olhe ao seu redor...Vai dizer que não tem um amor batendo a porta? Você só precisa deixá-lo entrar. Vai dizer que não tem 1000 coisas pra nos ocupar a mente e o tempo? Você só precisa achá-las. Agir e, enfim, ficar feliz de novo.
Aprende. Aprende que dói menos.

domingo, 5 de junho de 2011

inveja do sol

Eu já não me incomodo mais com o seu jeito escorregadio que sempre ameça escapar dos meu carinhos.
E nem ligo mais para os telefonemas que não são feitos, os beijos que não são dados e os 'eu te amo' que não são ditos.
Eu já nem reparo mais nas outras por perto. Machuca demais e como elas continuam por aí eu me cansei de reparar.
Não tento prender-te a todo instante e tirá-lo dos meus pensamentos. Continuo sendo uma boa garota para que, mesmo que com muita demora, você sempre retorne. Retorne para o meu abraço quente, pro meu coração apertado, pro meu apartamento pequeno e sem muitas mobilias mas sempre pronto pra ter você fazendo bagunça por todo lado. Retorne para os nossos momentos lindos e nosso tão idealizado futuro. Com nossa música, nossas fotos e sempre com o medo de você ir em embora e me deixar sozinha no escuro.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

desafio você a perder

Pensando no que vai ser de mim amanhã.
E sabe se lá como chegarei no amanhã...Alguém sabe qual o melhor caminho, algum atalho?Achei que estivesse perdida até encontrar os monstros que me falaram que eu encontraria.
Lutando contra mim mesma todos os dias e com os milhares de monstros da cidade grande.
Cismando mil coisas. Sonhando mil coisas. Crescendo mil coisas dentro de mim e enfim, crescendo.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

dos venenos mais leves aos mais assustadores calmantes

Logo eu, que sempre fui uma alegoria.
Que quando noite, tropeçando pelos bares gritava uma alegria inconsequente.
Comemorava a liberdade sem você mais ao meu lado. Gritava por um súbito alivio de não ficar mais sempre em suas mãos.
E andava pela rua com um sorriso quase indecente. Que enganava direitinho os mais distraídos.
Eu, que há tanto tempo não conseguia dormir direito. Esperando você me ligar. Aparecer pra mim e dizer que quando você parou de me amar... Lembra? No momento que eu perdi a graça pra você... Que não passou de um mal entendido e que você estaria ali pra mim, de novo.
Logo eu, que sofri tanto com a sua ausência. Estava feliz e deslumbrante. Apagando a sua cicatriz com uma embriaguez feroz. Tentando não notar meu desespero. E com o coração apertadinho.
Chegava em casa e conseguia, vitoriosamente, fechar meus olhos e adormecer. Naquela cama enorme que, depois que você se foi, ficava sempre metade fria e metade quente. E quando madrugada e eu sentia aquela parte gelada no lado que antes era o seu, meu coração esfriava junto e então ficava tudo molhado das lágrimas que quando você estava comigo, nunca permitiu que eu derramasse.
Era a morte me visitando de novo. E o curioso é que não era a minha morte. E sim a sua. Que vamos combinar, facilitaria muito as coisas. Morrendo você eu não precisaria mais me preocupar se você ainda pensava em mim como antes. Morrendo você eu não te esperaria mais e nem os seus telefonemas. Eu não ficaria me perguntando se você já tinha outro alguém. Não veria mais seus rostos em todos os outros.
Morrendo você, amor, eu é que descansaria em paz.

pode entrar mesmo, mas entra devagar...

Acho que o que estou sentindo agora é medo.
Não que eu nunca tenha sentido.
Só que dessa vez ele veio quase de máscara, tirando uma comigo “Vamos ver se ela me reconhece...”. Pois bem, eu digo que isso é medo.
Certo que toda mudança segue acompanhado de uma habitual melancolia. Porque qualquer mudança, mesmo que pequena, tem um quê de tristeza, vocês vão concordar comigo. Acontece que deixamos de ser o que nós éramos pra ser uma outra coisa. Abandonamos nós mesmos. Mudar dá medo. A gente fica ansioso, entusiasmado, feliz da vida. Mas dá um medinho “E se eu não segurar as pontas...”. Dá medo.
Mudar me parece irresistível, confesso. Vou mudar. Vou me mudar de cidade, de casa, de escola, de vida.
Eu tenho andado doidinha, doidinha... Conversando com as paredes. Despedindo-me do meu quadro preferido e andando pelos corredores como quem vê unicórnios pelo teto.
Não sei. Mas deve ser medo. Porque louca eu não estou. Não ainda.
Não posso deixar de falar que meu medo não é de nada real. Sou do tipo que pula de pára-quedas, que anda sozinha em um beco escuro tarde da noite, sobe em um skate e corre que nem criança. Adrenalina não é problema pra mim e eu não tenho medo de arriscar. De tentar. Prefiro acordar arrependida a dormir na vontade, olha eu aqui já falando bobagem e soltando cantadas de micaretas. Não dêem ouvidos ao que eu falo. Mas é certo, até as cantadas mais chulas tem certa poesia.
Mas voltando, o meu medo é outro. Tenho medo de fantasma, de dragão e de duende [podem até falar que eles são uns amores, mas eu continuo achando que são criaturinhas macabras que vivem escondendo meu controle remoto, meus prendedores de cabelo e minhas canetas].
Isso que é medo pra mim. Medo do que não existe. Medo do que eu tenho certeza que não vai fazer nada de mal comigo.
Medo de mudança pra mim é novo. E sabe de uma coisa? Eu estou animadíssima.

E morrendo de medo.

terça-feira, 24 de maio de 2011

importante obs.

Harry,

Você sumiu! Estou lhe escrevendo realmente implorando para que pare de se esconder e viva, homem! Não lhe reconheço mais...
Nunca mais deu noticias suas.
Não sei mais de você...
Sei que depois que aquela umazinha, Louise, partiu seu coração, as coisas mudaram.

Harry, nós sempre fomos amigos.
Era eu e você contra o mundo, lembra? E aí você se foi... e até lhe entendo.
Só peço que não desapareça para sempre. Pois seu irmão aqui sente saudades.
Muita coisa mudou.
E ela. Continua aqui.
E todas as noites você pode encontrá-la nos melhores bares da cidade.
Sempre vestindo roupas que provavelmente te enlouqueceriam.
Como sempre te enlouqueceram.
Sempre com um salto que dá um algo mais naquele corpo escultural e desenhado por anjos...Um algo mais...como se fosse necessário! Ela desfila com as amigas como se aqui fosse o seu palco. Nós, a plateia.
E você. O ingresso do espetáculo. Aquele que faz com que tudo que venha depois seja possível. Mas que é rasgado em mil pedaços logo em seguida.
Você. Você que colocou ela aqui.
Ela era só irresistível antes de você.
Hoje, tem uma multidão impressionada por ela ter feito o que fez. Com você.
Ter conquistado o amor de Harry Bridge, o cara que não se apaixonava por ninguém.
Por ela ter te feito sofrer. E por ultimo, ter te feito ir embora.
Não sei como ela fez isso.
Mas sei que ela era a única que poderia ter feito.
Sei também que você precisa voltar.
Não para dar o troco.
Não para tira-la do pedestal que você a colocou.
Não acho que isso seria possivel, amigo...
Peço que volte para vida. Que pare de se esconder e encare essas pernas esculpidas, esse rosto angelical, esses olhos diabolicos, tudo com micro roupas e muita maquiagem...Volte, Harry...
Acho que você deveria ver o que você fez com ela...Em que a tranformou!
E chegue devagar... Como quem pisa em terreno alheio...Cauteloso, e repare o que é aquela mulher e a sua 'gangue'...
E preste atenção: Crie uma cena, comece uma confusão, arranje um problema, uma encrenca, não adianta (e não importa), Harry, elas vão continuar se divertindo...

Um abraço e volte logo!

John.

Pra se você quiser que eu fique

Caso você queira posso passar seu terno, aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o longo inverno...Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro. E verás como a minha pele de algodão macio,
agora quente, será fresca quando for janeiro.
Nos meses de outono eu varro sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda.Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas
Depois plantarei para ti margaridas da primavera, e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, para serem tirados pelo seu total desejo de quimera.
Os meus desejos, irei ver nos seus olhos refletidos.
Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.

(Nem vou deixar – mesmo querendo – nenhuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda minha poesia.)

não vá por aqui...

Em qualquer rua escura. Em qualquer bar mal assombrado por corações partidos.
Em mãos.
Fred.
Deixa eu tentar te explicar.

É sexta-feira. E já esta no horário da partida do sol.
E você sabe bem como fico em dias assim... Nessas horas.
Já começo a pensar em tudo que poderá acontecer. Tudo dando certo ou não. Melhor que não dê. Que geralmente é mais divertido... Começo então a pensar que talvez não seja por acaso que você não esteja perto de mim. Começo a pensar que pode ser melhor. Começo até a gostar...
Dias que eu começo a esquecer um pouco de você.
Mesmo sendo você tudo pra mim.
Hoje é o dia que meu cabelo fica com um brilho diferente, as abelhas e as flores vem me cortejar e perguntar se por acaso eu quero um pouco mais de açúcar.
Um pouco mais de chá.
Pra lhes contar o meu segredo...
Não tenho segredo algum, mas finjo que tenho pra não acabar com o mistério...
E eu sinto um não sei o que por tudo que é belo, feio, engraçado e curiosamente me encanta.
E foi hoje. Em um dia desses.
Quando eu estava pensando comigo mesma.
Se o prazer de fazer um colar de margaridas é mais forte do que o esforço de ter de levantar e colher as margaridas.
Quando subitamente você entrou aqui.
Aqui dentro, sabe? Dentro de mim.
E aí então, essa imagem sua tão real, resolveu me olhar.
Não falou nada.
Só ficou me olhando.
E ai eu resolvi te escrever outra carta.
Porque embora eu ainda não tenha certeza disso, Amor, eu te amo.
E depois da carta que lhe fiz. Depois que você respondeu. Eu tenho me sentido bem.
Eu tenho que confessar.
Não abri a sua carta. Não sei o que escreveu pra mim, mas sei que foi bonito. Confio em você.
E não acredite nos que dizem que estou ficando maluca.
Por favor, algumas pessoas mentem e outras enlouquecem.
Algumas pessoas só se afastam.
Fred. Não me deixe nunca sem respostas... Por favor.
Não me deixe nunca ser passada em branco, tá?
Não precisa prometer.
Mas não me deixa em branco nem me esquece nem me apaga.
E nem some, porque eu nunca te acho e nunca me acho sem você.

Tenho que ir agora, Fred.
As borboletas e os cogumelos acabaram de chegar.
Vou inventar uma mentira qualquer pra não ter que contar o meu segredo.
Aquele lembra.
Invento uma mentira qualquer. Você não demora. E ai a gente faz ser verdade... Porque logo logo as formigas vão bater na minha porta e você sabe bem, Amor, o quanto elas são exigentes...



Sarah.

p.s.: Se agasalhe. Se alimente. E não enlouqueça sem mim...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

cores

Já consigo ver as cores.
Leves e indecentes se exibindo pelo céu.
Já até consigo ver as nuvens. Cândidas e puras a acalmar os tons de vermelho assanhados.
Eu já até consigo ouvir os pássaros. Afinados e alegres me fazendo companhia.
E então eu respiro. Pensando que o que está por vir, certamente virá.
Agradeço por ter chegado aonde cheguei e agradeço pela tela maravilhosa que vai se pintando frente a mim.
O dia-a-dia é angustiante muitas vezes. E os tombos não são fáceis. Me machuco muito e o desespero freqüentemente aparece por aqui.
Mas não tem nada, não. Pois repare bem, eu até já consigo ver as cores...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

E só saudade



Ele parecia ter sido desenhado.
E seus gestos e palavras pareciam ter saído do meu mais belo sonho.
Fazer o que com isso? Sou uma romântica...
Um ser extraordinariamente incrível que sempre sabia exatamente o que me falar para fazer com que as coisas aparentassem estar melhores do que realmente estavam. Ele teve tanto sucesso com isso e me enganou direitinho. Foi a mentira mais bonita que já me contaram e a brincadeira mais triste também...
E ele se foi.
Da mesma maneira que chegou como um vulto milagroso e colorido, se foi. Vazio, preto e branco mas grandioso. Deixando um buraco aqui que nem sei como hoje em dia não dói mais. E todos passaram a me dizer que ele não era aquilo tudo, que ia passar, que era só mais um e que eu merecia coisa melhor que ele.

Eu nunca concordei com isso e deixo aqui bem claro. Pois pra mim não existiu ninguém melhor que ele. E por mais subjetivo, confuso e cruel ele tenha sido comigo, é necessário também agradecer por todo bem que ele me fez e toda a felicidade que me causou, que eu realmente não acredito poder encontrar outra vez. Ainda sim, superei.

Vai ver eu mereço mesmo alguém melhor que ele. Mas eu continuo sentindo saudade, faço o que com ela? Não faz, me diziam... Com o tempo você se acostuma, é assim mesmo...
O único problema não é bem me acostumar com essa saudade.
O problema é que ainda sim, eu continuo sentindo...

sábado, 9 de abril de 2011

te deixava ir embora

Me perdia.
Em meio a sons, sorrisos e sussurros. Suspiros e incansáveis despedidas.
Me perdia e me encontrava em seus milhões de beijos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O mar, ele não te seduz?



Aconteceu mesmo. A gente foi tão feliz.

E todos os nossos beijos sentem saudades, e os seus lábios que sempre se esqueciam nos meus também foram felizes.
A felicidade sempre parecia ser momentânea. Ela saía pela porta junto com você, aflita e já sentindo minha falta.
Mas eu nunca pedia pra ela ficar. Nem pra você.
Lembro-me de um dia que insisti para dormir ao seu lado e você falou que não. E ainda acrescentou 'queria tanto que você ficasse...'. E continuamos com os beijos e com os carinhos e com as conversas sempre tão lindas e tão peculiares. Olhando pra trás agora, não consigo entender aquele não, foi só um não que você me disse. Desconfio que o único. E que não mudou nada. Você disse para que eu não ficasse e eu fiquei. E você deixou. Nessa noite, você se lembra? A gente foi tão feliz.
Depois você foi andando comigo pra um lugar bonito onde as pessoas já estavam meio caindo, embriagadas. Todos pareciam nos profetizar que sim, que seríamos muito felizes. E nós fomos!
E cada pedaço de mim implorava por você inteiro(ainda que já o tivesse), sentindo estar no lugar certo. E quando eu tentava, de maneira bem falha, descrever pra alguém o que eu sentia, uma palavra que eu nunca entendia aparecia: medo. E eu ainda era ousada, ao dizer que era um medinho gostoso de sentir.
Agora eu entendo. Era o medo do que eu sabia que ia acontecer. Acabaria. E eu então passaria a não sentir mais todas aquelas sensações. E mesmo que fosse bom me lembrar delas, essas então, seriam só saudade. Era o medo de que nada dura pra sempre. Clichê. Nada dura pra sempre. E não dura mesmo. E talvez seja por isso que algumas pessoas não conseguem ser felizes por completo. Por saber que acaba. Ah não.
Mas eu fui feliz. Feliz por completo, por inteiro e por você.
Você adorava falar insanidades e uma vez me perguntou 'O mar, ele não te seduz?'. Eu te disse que sim, o tempo o todo.
ABRE PARÊNTESES:
Não me chamem de maluca. Mas vocês já olharam pro mar. A maneira que ele se desenrola em ondas e o azul ali, escancarado e nos encarando infinito e mágico. A até injusto chamar de "O", caberia muito mais com o charme e a leveza das mulheres, também ferozes e irresistíveis. A mar. Não soa bem. Fiquemos com o mar que foi dessa forma que ele me falou.
FECHA PARÊNTESES.
O tempo todo.