quinta-feira, 21 de abril de 2011

cores

Já consigo ver as cores.
Leves e indecentes se exibindo pelo céu.
Já até consigo ver as nuvens. Cândidas e puras a acalmar os tons de vermelho assanhados.
Eu já até consigo ouvir os pássaros. Afinados e alegres me fazendo companhia.
E então eu respiro. Pensando que o que está por vir, certamente virá.
Agradeço por ter chegado aonde cheguei e agradeço pela tela maravilhosa que vai se pintando frente a mim.
O dia-a-dia é angustiante muitas vezes. E os tombos não são fáceis. Me machuco muito e o desespero freqüentemente aparece por aqui.
Mas não tem nada, não. Pois repare bem, eu até já consigo ver as cores...

segunda-feira, 18 de abril de 2011

E só saudade



Ele parecia ter sido desenhado.
E seus gestos e palavras pareciam ter saído do meu mais belo sonho.
Fazer o que com isso? Sou uma romântica...
Um ser extraordinariamente incrível que sempre sabia exatamente o que me falar para fazer com que as coisas aparentassem estar melhores do que realmente estavam. Ele teve tanto sucesso com isso e me enganou direitinho. Foi a mentira mais bonita que já me contaram e a brincadeira mais triste também...
E ele se foi.
Da mesma maneira que chegou como um vulto milagroso e colorido, se foi. Vazio, preto e branco mas grandioso. Deixando um buraco aqui que nem sei como hoje em dia não dói mais. E todos passaram a me dizer que ele não era aquilo tudo, que ia passar, que era só mais um e que eu merecia coisa melhor que ele.

Eu nunca concordei com isso e deixo aqui bem claro. Pois pra mim não existiu ninguém melhor que ele. E por mais subjetivo, confuso e cruel ele tenha sido comigo, é necessário também agradecer por todo bem que ele me fez e toda a felicidade que me causou, que eu realmente não acredito poder encontrar outra vez. Ainda sim, superei.

Vai ver eu mereço mesmo alguém melhor que ele. Mas eu continuo sentindo saudade, faço o que com ela? Não faz, me diziam... Com o tempo você se acostuma, é assim mesmo...
O único problema não é bem me acostumar com essa saudade.
O problema é que ainda sim, eu continuo sentindo...

sábado, 9 de abril de 2011

te deixava ir embora

Me perdia.
Em meio a sons, sorrisos e sussurros. Suspiros e incansáveis despedidas.
Me perdia e me encontrava em seus milhões de beijos.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O mar, ele não te seduz?



Aconteceu mesmo. A gente foi tão feliz.

E todos os nossos beijos sentem saudades, e os seus lábios que sempre se esqueciam nos meus também foram felizes.
A felicidade sempre parecia ser momentânea. Ela saía pela porta junto com você, aflita e já sentindo minha falta.
Mas eu nunca pedia pra ela ficar. Nem pra você.
Lembro-me de um dia que insisti para dormir ao seu lado e você falou que não. E ainda acrescentou 'queria tanto que você ficasse...'. E continuamos com os beijos e com os carinhos e com as conversas sempre tão lindas e tão peculiares. Olhando pra trás agora, não consigo entender aquele não, foi só um não que você me disse. Desconfio que o único. E que não mudou nada. Você disse para que eu não ficasse e eu fiquei. E você deixou. Nessa noite, você se lembra? A gente foi tão feliz.
Depois você foi andando comigo pra um lugar bonito onde as pessoas já estavam meio caindo, embriagadas. Todos pareciam nos profetizar que sim, que seríamos muito felizes. E nós fomos!
E cada pedaço de mim implorava por você inteiro(ainda que já o tivesse), sentindo estar no lugar certo. E quando eu tentava, de maneira bem falha, descrever pra alguém o que eu sentia, uma palavra que eu nunca entendia aparecia: medo. E eu ainda era ousada, ao dizer que era um medinho gostoso de sentir.
Agora eu entendo. Era o medo do que eu sabia que ia acontecer. Acabaria. E eu então passaria a não sentir mais todas aquelas sensações. E mesmo que fosse bom me lembrar delas, essas então, seriam só saudade. Era o medo de que nada dura pra sempre. Clichê. Nada dura pra sempre. E não dura mesmo. E talvez seja por isso que algumas pessoas não conseguem ser felizes por completo. Por saber que acaba. Ah não.
Mas eu fui feliz. Feliz por completo, por inteiro e por você.
Você adorava falar insanidades e uma vez me perguntou 'O mar, ele não te seduz?'. Eu te disse que sim, o tempo o todo.
ABRE PARÊNTESES:
Não me chamem de maluca. Mas vocês já olharam pro mar. A maneira que ele se desenrola em ondas e o azul ali, escancarado e nos encarando infinito e mágico. A até injusto chamar de "O", caberia muito mais com o charme e a leveza das mulheres, também ferozes e irresistíveis. A mar. Não soa bem. Fiquemos com o mar que foi dessa forma que ele me falou.
FECHA PARÊNTESES.
O tempo todo.